sábado, 2 de janeiro de 2010

Lugares de Gênero



"A noção de condição se expressa com relevância, porquanto abre espaço para a consideração das particularidades que formam cada sujeito sexuado na vida cotidiana, considerando as singularidades do processo de socialização que acaba por definir as experiências de lugar e de espaço desenvolvidas por ambos na vida social." (Ilaina Damasceno Pereira)



Lugares de Gênero, de Ilaina Damasceno Pereira mestranda em Geografia/UFC, aborda como a categoria lugar pode ser utilizada na análise de gênero na geografia.

Traz consigo embasamentos da fenomenologia e da teoria queer.
"O conceito de lugar será analisado como uma possibilidade de acesso a experiências diárias dos sujeitos que revelam os lugares concretos que os gêneros ocupam no espaço, os quais acabam por revelar as posições que homens e mulheres como sujeitos sexuados tomam nos discursos."
Para tal, analisa a experiência de homens e mulheres no bairro, aliando a perscpectiva da geografia humanistica, ou seja, "alia tanto a experiência corporal dos indivíduos através das percepções e das reações do corpo com o meio, quanto as formas de interação social com o ambiente que acabam tornando toda experiência com o meio uma ação coletiva; tendo em vista o arcabouço cultural criado pelas pessoas para se adaptarem ao local onde vivem."
A pesquisa empirica é baseada na entrevista de pessoas idosas de um determinado bairro. Dois lugares são mostrados como marcadamente feminino (a igreja) e masculino (a quadra de esportes).

Acredito que uma reflexão maior pode ser feita por nós e uma pergunta curta, porém complexa, fica no ar: O que representa a presença do masculino e feminino na quadra ou na igreja? Será realmente que estão revelando “os lugares concretos que os gêneros ocupam no espaço, os quais acabam por revelar as posições que homens e mulheres como sujeitos sexuados tomam nos discursos”, ou essa pergunta é uma bobagem?

Nesse texto a categoria "gênero" se refere a homens e mulheres. Um problema, já que homem e mulher não representam as múltiplas identidades existentes.
No próximo texto isso será explicado melhor...





BAIXE LUGARES DE GÊNERO AQUI!!!

Campanha 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um ensaio sobre as potencialidades do uso do conceito de gênero na análise geográfica


"A abordagem feminista argumenta que o território possui suas diferenciações internas e que no território conquistado pela força masculina também existe o espaço do outro - o feminino." (Joseli Maria Silva)


Para primeiro post, gostaria de dizer algumas palavras.
Sei que esse blog não vai bombar, até porque o tema não interessa a muitas pessoas. Geografia já não um tema interessante pras pessoas, imagine a Geografia Feminista.
Por que infelicidade as mulheres inventaram levar o feminismo para a maioria das áreas da ciência?
A pergunta nos dá a possibilidade de algumas respostas, mas a primeira é que, a ciência sempre foi branca, eurocêntrica e masculina. E é por isso que as geógrafas trazem a análise do espaço na perscpectiva feminina e dos/as demais oprimidos/as.

-
O primeiro texto será "Um ensaio sobre as potencialidades do uso do conceito de gênero na análise geográfica", de Joseli Maria Silva, pós-doutora em Geografia e Gênero; e professora da UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa.

No texto ela discute como foi criada a invisibilidade da mulher na geografia, se questiona se é possível analisar a relação gênero-espaço sob as categorias tradicionais de análise do espaço. Afirma que "a geografia feminista quer compreender como o sujeito feminino é construído dentro das estruturas de
dominação sócio-espaciais"
E percebe que para análise dos espaços devem ir "além da compreensão da lógica capitalista que os define, deve contemplar o modelo social patriarcal", apontando o "espaço paradoxal" como uma categoria mais apropriada ao estudo de gênero dentro da geografia:
"Uma interessante proposta conceitual é apresentada por Gillian Rose, a qual afirma que as cidades formam uma teia multidimensional de inúmeras sociabilidades que
possuem suas próprias espacialidades. Algumas destas teias se interceptam, outras são autônomas, complementares e ainda contraditórias e, além disso, estão em constante movimento de transformação no tempo e espaço. Em sua proposta teórica, as mulheres somente alcançam visibilidade no espaço quando observadas através do espaço da luta e resistência. E tal perspectiva implica ultrapassar o discurso dominante da geografia e reconhecer um particular senso de espacialidade que ela nomeia de "espaço paradoxal"."

FAÇA DOWNLOAD DO TEXTO AQUI