quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um ensaio sobre as potencialidades do uso do conceito de gênero na análise geográfica


"A abordagem feminista argumenta que o território possui suas diferenciações internas e que no território conquistado pela força masculina também existe o espaço do outro - o feminino." (Joseli Maria Silva)


Para primeiro post, gostaria de dizer algumas palavras.
Sei que esse blog não vai bombar, até porque o tema não interessa a muitas pessoas. Geografia já não um tema interessante pras pessoas, imagine a Geografia Feminista.
Por que infelicidade as mulheres inventaram levar o feminismo para a maioria das áreas da ciência?
A pergunta nos dá a possibilidade de algumas respostas, mas a primeira é que, a ciência sempre foi branca, eurocêntrica e masculina. E é por isso que as geógrafas trazem a análise do espaço na perscpectiva feminina e dos/as demais oprimidos/as.

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O primeiro texto será "Um ensaio sobre as potencialidades do uso do conceito de gênero na análise geográfica", de Joseli Maria Silva, pós-doutora em Geografia e Gênero; e professora da UEPG - Universidade Estadual de Ponta Grossa.

No texto ela discute como foi criada a invisibilidade da mulher na geografia, se questiona se é possível analisar a relação gênero-espaço sob as categorias tradicionais de análise do espaço. Afirma que "a geografia feminista quer compreender como o sujeito feminino é construído dentro das estruturas de
dominação sócio-espaciais"
E percebe que para análise dos espaços devem ir "além da compreensão da lógica capitalista que os define, deve contemplar o modelo social patriarcal", apontando o "espaço paradoxal" como uma categoria mais apropriada ao estudo de gênero dentro da geografia:
"Uma interessante proposta conceitual é apresentada por Gillian Rose, a qual afirma que as cidades formam uma teia multidimensional de inúmeras sociabilidades que
possuem suas próprias espacialidades. Algumas destas teias se interceptam, outras são autônomas, complementares e ainda contraditórias e, além disso, estão em constante movimento de transformação no tempo e espaço. Em sua proposta teórica, as mulheres somente alcançam visibilidade no espaço quando observadas através do espaço da luta e resistência. E tal perspectiva implica ultrapassar o discurso dominante da geografia e reconhecer um particular senso de espacialidade que ela nomeia de "espaço paradoxal"."

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